Cracóvia: O que fazer em 3 dias

Quem procura o que fazer em Cracóvia deve ter em mente que Cracóvia é uma cidade adorável. Mas que não esconde as marcas de sua história, por mais traumáticas que sejam.

Barbacã de Cracóvia
Barbacã

Cracóvia era um próspero centro comercial, já no século X. Pois estava no cruzamento de importantes rotas comerciais. Uma marca deste fato histórico é o imponente Mercado Principal na Cidade Velha.

Aliás, a Cidade Velha é circundada pelo Parque Planty e por partes do que restou da muralha medieval. Embora, em seu centro histórico, exiba construções em estilo gótico, renascentista e barroco.

A uma curta distância está Kazimierz. O bairro judeu que, apesar do sofrimento causado pela invasão nazista da 2a guerra, renasceu com sua vocação secular de ser um foco da cultura judaica. Dessa maneira, mantém a tradição com restaurantes kosher e música klezmer.

Para os que desejam aprofundar-se um pouco mais na história do Holocausto, atravessando o Rio Vístula está Podgorze. O bairro ainda exibe partes do muro de isolamento do Gueto Judeu da Cracóvia. Em Podgorze você conhecerá lugares de condenação e salvação. Pois, enquanto na praça Bohaterów, os judeus eram selecionados para campos de concentração, na Fábrica de Oskar Schindler (o protagonista do filme A Lista de Schindler) foram salvos da morte.

Seguindo a história, vem o período comunista. Que também deixou suas marcas na cidade.

Mais afastado do centro histórico, o bairro Nowa Huta foi projetado para ser uma cidade operária. O projeto de arquitetura soviética, impressiona pela grandiosidade e simetria das construções. De tal forma que conta com avenidas, parques e espaços comunitários.

Quando estiver na Cravóvia, encante-se com centro histórico e seus parques. Mas entenda e respeite que existem marcas que devem ser exibidas. Afinal, “aqueles que não podem lembrar do passado estão condenados a repeti-lo” (George Santayana).

O que fazer em Cracóvia – Principais Atrações:

  • Bazylika św. Floriana / Basilica de S. Floriano: De 1216, tem estilo barroco.
  • Florianska Gate / Portão de São Floriano: Do século 14, é uma torre em estilo gótico que faz parte das fortificações da cidade.
  • Praça do Mercado Principal: Construída em 1257 na conexão de rotas comerciais. Abriga construções interessantes:
    • Sukiennice / Mercado Principal: Artesanatos, joias e souvenirs
    • Podziemia Rynku (abaixo da praca): Sítio arqueológico que conta a história medieval da cidade.
    • Pod Jaszczury / Casa dos Lagartos (no 08): Abriga um clube estudantil
    • Casa Morsztynowska (no 16): Abriga o Restaurante Wierzynek desde 1364.
    • Pałac pod Baranami / Mansão dos carneiros (no 27): Pátio com arcadas renascentistas, salas do 1o andar com decoração Luis XVI e, desde 1956 abriga no porão, o Kabaret Piwnica pod Baranami.
    • Spiski Mansionsat (no 34): Abriga o Restaurante Hawełka desde inícios do século 20.
    • Pod Krzysztofory Mansion (no 35): Principal sede do Museu Histórico de Cracóvia (MHK). Seu nome deriva do São Cristóvão, que enfeitava a fachada.
    • Basílica de Santa Maria: Do século 14, é um exemplo da arquitetura gótica polonesa. A cada hora, no alto da torre da igreja é tocado o Chamado do Trompete.
    • Torre da Prefeitura
    • Igreja de S. Adalberto: Arquitetura românica polonesa do início da Idade Media.
  • Ulica Grodzka: Sendo parte de uma antiga rota comercial, “quebrou” a simetria do projeto de ruas perpendiculares.
  • Ulica Kanonicza: uma das mais antigas de Cracóvia, leva até a Colina Wawel.
  • Zamek Krolewski na Wawelu / Complexo Wawel: Abriga o Castelo, a Catedral e o Dragão de Wawel.

Kazimierz

Durante a Idade Media, Kazimierz foi considerada a segunda cidade mais importante da Polônia. Porém, em 1800 tornou-se um bairro judeu ao ser anexada a Cracóvia.

  • Kładka Ojca Bernatka / Ponte Padre Laetus Bernatek: Liga Kazimierz ao Bairro Podgorze
  • Plac Wolnica / Praça Wolnica: Praca do Antigo Mercado onde fica o Museu de Etnografia
  • Krakowska Ulica / Rua Krakowska: A rua era parte de uma rota comercial que ligava Cracóvia a Hungria
  • Kościół pw. św. Katarzyny Aleksandryjskiej Klasztoru Augustianów / Igreja de Santa Catarina de Alexandria, Monastério Augustiniano: Do sec. 14 possui estilo gótico.
  • Plac Nowy / Praça Nova: Também chamada de “dowsydowski” (judaica), nos fins de semana abriga um mercado de pulgas.
  • Szeroka Ulica / Rua Szeroka: no final do século 15, os muros da cidade autônoma dos judeus ficavam nesta área.
  • Jozefa Ulica: A via ocupada atualmente pela Rua Józefa foi dividida pelo portão judeu em 1533 (localizado no cruzamento com a atual Rua Jakuba). Por isso, no século 16, uma parte da rua começou a ser chamada dowsydowska (Judaica). Porém em 1866 surgiu o nome atual, uma referência à permanência do imperador Józef II na casa da Józefa Ulica n. 2.
  • Bazylika Bożego Ciała / Basilica de Corpus Christi: Do século 14, possui estilo gótico.

Nos Arredores

  • Nowa Huta: Com arquitetura soviética, a região foi projetada para ser uma cidade com avenidas largas, parques e espaços comunitários. Assim sendo, 40.000 operários foram alojados nessa área durante o período comunista.
  • Fábrica de Schindler: É um museu contando a história da ocupação nazista e dos guetos judeus.
  • Memorial de Auschwitz: Antigo Campo de Concentração e Extermínio operado pelo Terceiro Reich e colaboracionistas. O maior símbolo do Holocausto Nazista durante a Segunda Guerra Mundial.
  • Mina de Sal de Wieliczka: Uma das mais antigas minas de sal do mundo. A Mina de Sal de Wieliczka também possui a maior igreja subterrânea do mundo. Uma vez que sua Catedral de Sal fica a 100 metros de profundidade.
  • Zalipie: Aldeia conhecida pelas casas pintadas com motivos decorativos.
  • Zacopane: A principal cidade das montanhas polonesas. Na rua Krupowki, estão os restaurantes tradicionais. Em Gubałowka, está o mirante com vista das Montanhas Tatra que ficam cobertas de neve ate o mês de maio.
  • Parque Nacional Ojców: Abriga parte de um sistema de castelos conhecido como Ninho da Águia. Composto, tanto pelas ruínas de um castelo do século 14, quanto pelo Pieskowa Skała; um castelo renascentista sobre um penhasco no vale do rio Prądnik.

O que fazer em Cracóvia: Uma experiência de 03 dias

Dia 01: Centro Histórico

Catedral Wawel
Catedral Wawel

Na manhã de seu primeiro dia em Cracóvia, foque no centro histórico.

Comece pelo Barbacã; o posto avançado antes da muralha da cidade. Em seguida, atravesse a muralha pelo Portão de Floriano e caminhe até a Praça Central (projetada em 1257). Faça uma pausa para admirar o conjunto arquitetônico e o Mercado Principal.

Aproveite para visitar o museu Podziemia Rynku que, embora com entrada pelo Mercado, fica localizado no subsolo da praça. O museu conta a história medieval da cidade através da união das peças de seu acervo com mídias interativas.

Quase em frente ao Mercado Central está a Basílica de St Maria (sec. XIV). De sua antiga torre de observação, a cada hora, um solitário trompetista toca o “hejnal” (Chamado do Trompete). Mas, a melodia sempre é interrompida de forma brusca. Pois é uma forma de homenagiar o trompetista assassinado quando alertava os cidadãos de uma invasão à cidade.

Prossiga com seu passeio pela Rua Grodska (Ulica Grodzka). Pois ela irá te guiar até a base do Castelo Wawel. Dali, continue sua caminhada subindo a colina para visitar o Complexo do Castelo e a Catedral.

Na saída, caminhe um pouco pelo parque situado na orla do Rio Vístula. Sobretudo, aproveite para ver o Dragão cuspir fogo.

No caminho de retorno, passe pela Rua Kanonicza (Ulica Kanonicza). Pois, além de ser paralela a Rua Grodska, abriga o Museu Arquidiocesano, na antiga Casa do Reitor da faculdade de clérigos.

Dia 02: Kazimierz

Rua Józefa em Kazimierz
Rua Józefa em Kazimierz

Kazimierz, a cidade transformada em bairro judeu, está fora dos limites da cidade velha.

Sem dúvida, sua história de dor gerou anos de abandono. Então, ao servir de locação para o filme “A Lista de Schindler”, começou uma nova fase de revitalização.

Certamente Kazimierz mantém viva a cultura judaica e, visitar o bairro leva a reflexão sobre intolerância, preconceito, opressão… Por isso, caminhar por suas ruas é uma boa forma de analisar se você terá estrutura emocional para visitar Podgorze (área transformada em Gueto Judeu pelos nazistas) e o Memorial de Auschwitz.

Dia 03: Lago Zakrzówek

Lago Zakrzówek em Cracóvia
Lago Zakrzówek

Caso você queira fugir da multidão de turistas, ignore os programas culturais e históricos. Nesse sentido, vá conhecer o Lago Zakrzówek e aproveite o dia em um programa mais ligado a natureza.

Assim, compre os tíquetes de transporte público e pegue o tram 18. O percurso dura em torno de 30 minutos desde a parada Plac Wszystkich Świętych até a parada Norymberska.

Uma vez que você chegar à parada Norymberska, você fará uma caminhada de, aproximadamente, 15 minutos até o lago.

O Zakrzówek é um lago artificial. Pois é resultado de um acidente de mineração que perfurou o lençol freático. A água de um azul cristalino e os paredões de calcário criaram um cenário convidativo. Além disso, é uma atividade sem necessidade de guia para orientar e direcionar o caminho.

Sem dúvida, essa escolha fora do padrão proporcionará uma experiência bem menos turística. Embora muito agradável e tranquila.

Como chegar em Cracóvia:

  • Avião: O Aeroporto Internacional João Paulo II Cracóvia-Balice é utilizado por várias empresas aéreas que transitam por cidades europeias e do mundo. Por isso nós utilizamos empresas diferentes. A NorwegianAir foi usada no voo com origem em Estocolmo. Enquanto a KLM foi usada para retornar ao Brasil, através de uma conexão em Amsterdam.
  • Transfer do Aeroporto Internacional João Paulo II Cracóvia-Balice até o Centro Histórico (Stare Miasto) de Cracóvia:
    • TREM: Os trens fazem o percurso da estação do aeroporto (Krakow Lotnisko) até a Estação Krakow Glowny em, aproximadamente, 20 minutos. Informações no site da empresa Koleje Małopolskie
    • Ônibus: O percurso é realizado em, aproximadamente, 40 minutos mas com exceção do ônibus 252 (direto do aeroporto até a parada Jubilat) e do ônibus 902 (noturno e direto até a parada Uniwersytet Jagielloński) existe a necessidade de baldeação. Informações no site da empresa MKP
  • TREM: A Estação Krakow Glowny faz a ligação com outras cidades polonesas e europeias.

Durante o planejamento de nossa viagem, estudamos as formas de transporte para ir do aeroporto ao centro histórico. Nesse sentido, ao analisar o custo-benefício, optamos por reservar um motorista privativo.

Onde se hospedar em Cracóvia:

Escolhemos o Pergamin Royal Apartments. Afinal, está localizado dentro da área de pedestres do centro histórico, junto à Praça Central. Mas avisamos que não possui elevador.

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Informações e Curiosidades

  • Castelo Real de Wawel: Seus pátios são abertos ao publico. No entanto os museus e exposições são pagos individualmente. São exibições permanentes: Salas de Governo; Apartamentos Reais (com guia e hora marcada); Tesouros da Coroa e Arsenal; O Wawel Perdido (ruínas) e Arte Oriental. Embora situada no mesmo complexo do Castelo, a Catedral de Wawel é uma instituição independente. Informações nos sites do Castelo de Wawel e da Catedral de Wawel
  • Dragão de Wawel: Uma das mais antigas lendas polonesas. Conta a história da astúcia de um campesino para derrotar um dragão que não apenas comia os rebanhos, como também matava camponeses.
  • Papa João Paulo II: Nascido Karol Wojtyła. Foi bispo auxiliar da diocese de Cracóvia.
  • Gastronomia:
    • Pierogis: pastel cozido recheado de carne moída, batata, queijo ou chucrute;
    • Zapiekanka: pão (tipo pizza) com recheios diversos (pode ser bem picante)
  • UNESCO: O Centro Histórico de Cracóvia é Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1978.
  • Universidade Jaguelônica: Fundada na Cracóvia em 1363. Decerto é uma das mais antigas universidades da Europa. Entre seus alunos estava o astrônomo fundador do heliocentrismo, Nicolau Copérnico.
  • Cidade Livre: Durante uma parte do século 19 Cracóvia foi uma Cidade Livre. Portanto, possuia um status semelhante ao de uma república independente.
  • Cultura Judaica:
    • kosher: Produtos ou alimentos kosher são todos os que obedecem a um conjunto de características e regras da lei judaica.
    • klezmer: Gênero de música judaica, desenvolvido a partir do século 15.

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